No Armário da Carol

Conversa

Sobre mudar de carreira…

Faz tempo que queria escrever sobre esse assunto aqui no blog, tanto porque muitas pessoas comentam sobre o que eu fiz, como porque sei que outras tantas passam por um momento “casar ou comprar uma bicicleta” e é bom ver experiências que possam ajudar a decidir o caminho que iremos seguir.

Do começo é o seguinte: Eu morava em Roraima e sempre quis estudar fora, e sempre foi uma realidade porque minha mãe, meus tios, primos e amigos, geral saía de BV para estudar e depois voltavam com formação em boas faculdades prontinhos para os melhores empregos da cidade.

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Até os 12/14 anos eu tinha alguma dúvida sobre ser jornalista ou advogada, decidi pelo Direito porque era uma área mais promissora lá na minha cidade. Vim par SP em 2004, entrei na faculdade em 2005 e me formei em 2009. Trabalhei apenas com Direito, desde 2005 até dezembro de 2012. E não fui feliz como imaginei… Primeiro que de cara percebi que não queria ser juíza (até então era esse o plano), depois percebi que nenhum concurso público era para a minha pessoa… e aí ferrou! Eu gostava da agitação e da adrenalina de ser advogada. Ganha menos. Trabalha muito mais. E eu cansei.

Cansei de ver que a minha vida tinha que ser o trabalho. Que as pessoas olham feio quando você sai na hora. Cansei de ter a gastrite sempre ali na porta, por conta da ansiedade dos prazos (gente, prazo judicial! É uma loucuuuuraaaa). Cansei de ter chefe louco, workaholic e que não dá uma injeção de ânimo na equipe. Cansei de ver que não teria tempo para meus filhos… cansei gente. Cansei de vez! E tudo isso o que eu falei não são problemas exclusivos da carreira jurídica, não. Qualquer empresa será assim, o mundo corporativo é assim. E eu percebi que não me encaixava naquele perfil. Não podemos ter tudo na vida.

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Admitir foi difícil… estudei taaaaaaanto, para depois “jogar os 5 anos no lixo”. Deixar para trás a única coisa que eu achei que sabia fazer… todos esses pensamentos passavam pela minha cabeça. No início da minha percepção de mudança eu não tinha o apoio de ninguém, só com o passar do tempo e a clara mudança na minha alegria e qualidade de vida foi que tanto minha mãe como meu marido passaram a aceitar a ideia. Aceitar. Concordar e achar o máximo, até hoje não acham.

Mudar de carreira e seguir em busca de um sonho é uma loucura para a qual as pessoas não estão preparadas. Vivemos em um mundo capitalista, tempo é dinheiro, dinheiro é tudo. Você precisa ter um status de bem-sucedido, realizado, feliz. Recomeçar depois de algum tempo é assustador tanto para quem faz, como para quem assiste. Então saiba que se está pensando nisso, não será simples explicar dezenas de vezes a mesma coisa e lidar com a cara que as pessoas farão. Elas não sabem disfarçar.

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Mas eu fiz. Não me arrependo de ter mudado, de forma alguma! Hoje em dia vejo que o Direito não tem NADA a ver comigo! Não me imagino dentro de um escritório das 9h às 21h sem poder falar de facebook, memes e usando sempre aquele juridiquês rebuscado. Mas acho que algumas dicas são válidas para você que lê esse texto e pensa em fazer a mesma coisa. Lá vão:

1 – Planeje-se (de verdade). Eu acabei estudando algo relacionado a moda e estilo apenas no final da minha estadia no Direto. Podia ter começado muito antes porque existem vários cursos de curta duração que me ajudariam na estruturação dessa nova carreira. Então parar e analisar o que você pode fazer, como ir mudando de formação e área de atuação é essencial. Veja cursos, valores e crie um tempo para ter um conhecimento mínimo até fazer a transição definitiva;

2 – Faça networking. É essencial conhecer da sua nova área, quem são pessoas influentes e que poderiam eventualmente te ajudar. No caso de moda não digo de fazer networking com a Gloria Kalil, a menos que você tenha proximidade com ela. Mas ler blogs, revistas, saber o nome das pessoas, segui-las nas redes sociais e etc. Seus professores são as primeiras pessoas que poderão te ajudar nessa nova jornada e os colegas de classe também podem ser pessoas interessantíssimas para possíveis parcerias de trabalho. Digo isso porque hoje em dia conheço tantas pessoas diferentes (designers, ilustradores, fotógrafos, etc e tudo começou com o curso na BA. Tenho amigos que fiz lá até hoje e a gente super troca figurinhas). Se unir a algum colega para formar um trabalho mais completo é legal (eu já fiz parceria com personal organizer, por exemplo) também, vocês se ajudam e se fortalecem.

3 – Seja cara-de-pau. No começo ninguém vai te conhecer então vender seu peixe sozinho é o único jeito, por tanto tem que ter coragem de chegar em fulaxo e falar que o conhece, admira o trabalho e etc… às vezes disso rola alguma parceria, você pode oferecer trabalho de graça por um tempo para aprender na prática e etc;

4 – Esqueça esse negócio de colocar CV na Catho. Hoje em dia os contatos que você faz são muito mais importantes do que ter um CV lindo feito em word. Eu mesma não mando CV para ninguém, vai até assustar ver aquelas duas páginas de pura experiência jurídica. Ter um blog ajuda a vender meu trabalho, claro, mas você não precisa achar que um CV tradicional será a saída. A não ser que você esteja migrando para uma área mais tradicional;

5 – Organize-se financeiramente. Acho que esse, apesar de ter sido o último a ser citado, é um dos mais importantes. Não faça a loucura de largar seu atual emprego sem ter um planejamento financeiro mínimo! Diria que no primeiro ano qualquer mudança é difícil, portanto ter uma renda para esse período é indispensável.

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Por fim, o que acho que mais vale apesar de ser o clichê dos clichês é: Faça o que você gosta! Não se prenda a tradições familiares, pressão da sociedade e etc. Quem vai passar o resto da vida lidando com o trabalho é você, e se não for minimamente prazeroso, nem o dinheiro q ele te der será bem aproveitado. Além do mais, precisamos de bem menos do que parece… eu vivo com uma renda exatamente igual a que tinha quando larguei o Direito, ou seja, não evoluí financeiramente. Mas durmo bem, não choro antes e depois do trabalho. E mesmo se virar a noite em frente ao computador, será com uma motivação que eu nem sabia que existia. Isso é demais! Não tem como descrever.

Se alguém aí ta passando por uma fase difícil nessa área, comenta aí em baixo… eu amo poder falar sobre isso, e pelo tamanho do post vocês perceberam né? rs

UPDATE: acho que nem precisava dizer porque é óbvio, mas melhor registrar: Falei da MINHA experiência ok? Eu não me adaptava aquela realidade, como disse no texto. Porém conheço muitas pessoas que são plenamente realizadas com suas vidas e o mundo corporativo as completa. Ok! Que lindo! Parabéns! Te admiro! Comigo não foi assim… Cês entenderam né?

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