Viagem

Uma viagem pra expandir a mente: El Paují na Venezuela

Em 2017 consegui realizar mais viagens do que imaginei e fico muito feliz com isso pois não foi um ano fácil na minha vida pessoal. Todas já foram documentadas no insta, mas a partir de agora vou passar a postá-las devidamente aqui no blog também com mais informações e sempre reflexões para vocês!

Uma das viagens MAIS LEGAIS EVER foi a que eu fiz um pouco antes do Natal (dez/2017), com 2 amigas e a minha irmã. Fomos para uma comunidade no interior da Venezuela, chamada El Paují. Um lugar lindo, bucólico, “perdido” no meio do mundo, onde eu mesma achei que não veria nada de civilização mas acabei sendo surpreendida pelas lições que essa viagem me trouxe!

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A viagem durou só 3 dias, mas foram intensos, tanto pelo choque cultural que é ver uma comunidade vivendo de maneira alternativa e verdadeiramente autossustentável, como pelo trajeto que é todo em estradas muito difíceis, cansativo e demorado.

Saímos do Brasil ás 6:30 da manhã do dia 19/12 para nos encontrarmos às 9h com o guia, que nos esperava na cidade que faz fronteira com a Venezuela. De lá ele nos levou em seu carro para o país vizinho e demos início á aventura.

Paramos primeiro para tomar café: Deliciosas empanadas + suco natural de maracujá para duas pessoas por apenas R$ 6,00. Pois é, essa é a vantagem de viajar para um país em crise e que a moeda vale MIL vezes menos que a nossa.

A segunda parada foi para compra de besteiras alimentícias, que nos abasteceriam ao longo das 4hs de viagem até El Paují (são 70km entre Santa Elena del Uairen e El Paují, mas a estrada é tão ruim, que leva 4hs. Só se chega lá de 4×4), e em seguia começamos de fato a viajar mundo adentro de uma parte da Venezuela que eu jamais achei que existia.IMG_4143

No caminho o nosso querido e amado guia, Jonny,  parava em algumas cachoeiras para que fôssemos conhecendo e nos ambientando com o local.  Não sei dizer até hoje qual foi a minha preferida… a gente se matava em algumas trilhas e quando chegava tinha uma super recompensa, então tudo acaba sendo muito especial!

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Paramos para almoçar no começo da tarde, em um lugar tão calmo, quieto e tranquilo que começou a causar a grande reflexão da viagem… a gente precisa mesmo de tantas coisas para ser feliz? Coisas materiais, objetos, foto ostentação… Naquele lugar eu comi a melhor salada da minha visa (sem brincadeira) e fui tão bem recebida por pessoas tão queridas, que só conseguia pensar em como ter uma vida com mais tempo e menos coisas, é de fato a escolha que quero para meu futuro.

Não que eu vá me retirar e viver como eles… admito aqui a minha incapacidade de ficar tão longe do capitalismo, mas me aprofundar no que é minimalismo e no que de fato importa pra uma vida feliz, com consumo consciente movendo meu trabalho e meu propósito de vida.

Nesse lugar: Um suíço e uma venezuelana + seu golden retriever nos receberam super bem!

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E aí, depois de 4hs balançando loucamente no carro, vendo paisagens lindas e indo em direção ao desconhecido, chegamos na pousada desse casal fofo (Mauro e Elza) e querido, que nos recebeu com tanto amor carinho que pareciam até ser da família… a pousada deles me surpreendeu positivamente em todos os aspectos.

Primeiro porque sim, eu e meus julgamentos estávamos meio enlouquecidos com a chance de dormir ao relento, em barracas. Segundo porque eu achei que não ía rolar essa atenção toda, não tinha boa impressão de venezuelanos. Terceiro porque mais uma vez, escolhas de vida que são motivadas por um propósito maior nos fazem pessoas melhores, felizes e que conseguem viver no meio do nada com uma alegria tão grande, que transborda e seus hóspedes saem de lá querendo largar tudo na cidade. hehehehe

Mauro e Elza merecem um parágrafo para eu dizer que: Ambos são arquitetos, formados em Caracas (capital da Venezuela) e desde a década de 70 conhecem El Paují. Fora pra lá depois de formados, criaram a pousada (aliás, sigam @campamentokawaik) pessoalmente envolvidos no projeto de arquitetura, todo bem rústico e usando muito de recursos naturais, um tipo de construção que preza pelo minimalismo eficiente e até lembra o scandinavo de vez em quando. Viveram lá por 10 anos, tiveram seus filhos, e então como as crianças estavam grandinhas, voltaram a Caracas para que eles fossem á boas escolas. Depois que os filhos se encaminharam na vida, eles retornaram ao El Paují e levam a sua vida tranquila com o turismo. Infelizmente com a crise na Venezuela, o que antes era a alta temporada deles (agosto-abril) virou só um período fantasma e no segundo semestre de 2017 nós fomos o único grupo que eles receberam!

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No segundo dia retornamos para Santa Elena e como no dia anterior, ao longo das 4hs de viagem fomos parando em cachoeiras, mirantes e mais paisagens lindas. Até que chegamos na cidade e dormimos em uma pousada para encerrar a viagem no dia seguinte.

Um dos lugares que conhecemos nesse retorno para Santa Elena foi o El Abísmo. Caminhamos uns 40min para chegar ao topo dessa montanha linda, com visual incrível e que só traz boas energias pra gente! Não conseguia parar de agradecer a Deus pela oportunidade de estar ali, ter saúde e ter condições de chegar e ver aquela paisagem linda! É realmente incrível!!

Nesta trilha conhecemos um outro casal: Um venezuelano e uma francesa nos venderam o melhor mel que já vi EVER!! Tinha mel com canela e lamento muitíssimo que meus bolívares já estivessem escassos, pois queria trazer também! hehehehe

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No terceiro dia não estávamos mais em El Paují, então conhecemos as cachoeiras do parque nacional de La Gran Sabana. Não deixou nada a desejar… tinha um sol lindo, aproveitamos muito a última cachoeira – La Piscina – e encerramos voltando para o Brasil  com um belo sorriso no rosto…
IMG_4436Eu nunca tinha feito esse tipo de viagem e garanto que foi transformador… todo aquele papo de que turismo ecológico é chato e sem graça ficou pra trás… consegui me conectar com a natureza, me sentir parte dela e tive dias que valeram por anos! Aprendi com cada pessoa que passou por nós… tantos europeus vivendo naquele lugar que eu cheguei a me perguntar “porque essa pessoa saiu da França / Suíça pra vir pra cá? No meio do nada?”

Porque o propósito de vida dela não estava ligado a uma rotina urbana, com desafios e competição diária para sobreviver… lá eles vivem, com calma, tranquilidade, sustentam-se do que produzem, comem com muita qualidade seus produtos orgânicos e sim… são felizes!

Como eu disse lá em cima, não planejo fazer a mesma escolha, mas se a gente pelo menos se permitir viver esse tipo de experiência, sem emitir julgamentos e só absorver tudo o que for positivo e aprendizado, já teremos reflexo de mudança de comportamento e o efeito acontece sozinho.

Aqui deixo o contato do nosso guia e da pousada:

Jonny: @jonny_aldana a conta dele é privada e ele foi embora para o Chile, mas tem uma equipe de parceiros que podem orientar alguém que se interesse no passeio e acompanhá-los.

Mauro e Elza: @campamentokawaik Pelo o que entendi, Mauro também fará o receptivo de turistas agora que Jonny foi para o Chile.

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