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Você pode viver sem carro

Postei um vídeo na semana passada (aliás agora é regra: Toda sexta tem vídeo no canal, clica aqui e se inscreve!) , contando a minha experiência de não ter carro há cerca de 1 ano… foi engraçado ver as diferentes reações dos amigos, alguns achando que virei uma comunista louca e outros com absoluta surpresa por eu ter chegado tão fundo na minha escolha pelo minimalismo.

A verdade é que não ter carro foi uma escolha que eu fiz primeiro impulsionada pelo alto custo que ele me dava e em seguida por um fato que não contei no vídeo: Eu tive minha CNH cassada e, como todo mundo que comete um erro, precisei pagar pela consequência dele. Essa parte também costuma assustar as pessoas porque né, no Brasil estamos tão acostumados a dar um jeitinho em tudo, que seguir dirigindo seria até um caminho natural.

Enfim, no vídeo falei de aspectos práticos entre ter e não ter carro, tipo: Gasto menos x ando muito mais a ponto de ter emagrecido.

Agora quero bater um papo sobre o que esse negócio de ter carro representa na nossa vida…

Eu mudei muito em muitos aspectos desde que passei a buscar autoconhecimento, entender o que eu to fazendo com a minha vida, revi conceitos, valores e percebi que, hoje, ter um carro não me representa no sentido de preciso ter um carro para ter realização. Não me representa depender do carro para dizer que tenho, apenas, porque na real ele tava acabando com meu orçamento e eu estava dirigindo ilegalmente há meses!! Não faz sentido digirigir correndo o risco de “ser presa” pelo simples fato de achar que é impossível viver sem carro.

Não é. A gente sabe disso. A Europa inteira prova que isso é mentira. E como eu sonho em morar na Europa mesmo, já vou treinando. rs

E por falar em Europa, sim, mais uma vez a viagem para Paris ajudou demais nessa mudança de mindset! Lá eu vi pessoas das mais variadas classes sociais andando pra lá e pra cá com suas perninhas e seus tênis, sem reclamar. E comecei a me perguntar se eu queria manter esse estilo de vida brasileiro que é muito baseado do TER e pouco de fala do SER…

Percebi que desde que saí do mundo corpoativo mudei muito meu jeito de conviver com as pessoas, prezando mais pelo contato físico, por ter tempo de qualidade com meus amigos e especialmente querendo demais que houvesse troca de experiência e conhecimento e não só competição para ver quem tem a bolsa / o sapato / foi no rextaurante x y z.

E então voltei de viagem decidida a vender meu carro e adotar o estilo de vida parisiense / europeu no que eu pudesse, aqui mesmo no Brasil

Como já venho de uma formação de consumo consciente bem forte desde que fiz Belas Artes, reduzir o consumo não foi problema porque na verdade isso já estava na rotina, eu ando consumindo muito mais em trocas com amigas e em bazares do que comprando roupa nova. O europeu não compra por comprar, não compra por modismo, ele sabe muito mais sobre si e seu estilo de vestimenta, então compra quando sabe que vai agregar e ponto.

Em Paris o que eu mais vi foi carro velho! rs Real… muitos carros antigos, e isso decorre do fato de que para o francês o carro não é sinônimo de poder ou conquista, é só um carro, um meio de locomoção.

Aqui a gente tem orgulho e é natural se pararmos pra pensar na nossa história, o período de inflação louca foi só há 30 anos atrás (ou há 30 segundos, porque ultimamente…. rs) então ainda precisamos ter segurança e garantia nos bens materiais que adquirimos.

Mas a verdade é que a gente só perde energia, tempo e dinheiro investindo em algumas coisas. Não falo isso porque nunca mais quero ter carro, eu quero. Mas porque os valores acabam sendo trocados, a conquista passa a ser baseada em aspectos que não carregamos para uma vida toda e em detrimento disso a gente deixar de viver experiências e conhecer maneiras novas de pensar.

A gente tem o sonho americano muito enraizado no coração, a gente quer com todas as forças que o Brasil fique cheio de fast fashion, fast food, produtos baratinhos e uma mini América exista pros lados de cá.

Racionalmente falando, acho pouquíssimo provável que algum dia tenhamos algo perto da estabilidade financeira que os americanos tem. Mas acho possível que cada um se disponha a rever seus conceitos, ler sobre novas formas de consumo e valorize o viver com experiência ao invés de coisas. É bem mais fácil esse caminho, afinal só depende de você aí parar e recomeçar.

Talvez o meio com o qual você convive não ajude, então te digo: Afaste-se de quem não quer caminhar na mesma direção e não tem os mesmos valores. Simples assim. Esteja com quem te alimenta e te motiva a ser melhor.

Talvez voçê precise de tempo para planejar uma mudança de estilo de vida… justo. Apenas não deixe passar.

Não se deixe ser apenas uma cópia do protótipo de ser humano que alguém desenhou pra sua vida.

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