Quer reclamar da vida? Vamos juntos!

30 de agosto de 2016
Comportamento

Vamos lá:

  • Nasci com uma cardiopatia que faz meu coração bater lenta e preguiçosamente, míseras 45 / 50 vezes por minuto.
  • Isso fez com que eu NUNCA pudesse ter ido à uma montanha russa na minha vida. (Ir à Disney? Sem chance).
  • Nunca pude competir pela minha escola. Treinava e ía pro jogo assistir do banco de reservas…
  • Passei todas as férias da minha vida indo ao Rio de Janeiro fazer exames e mais exames para ver se o coração tava normal.
  • Às vezes me sentia um ratinho de laboratório…
  • Sou de Roraima, um Estado esquecido pelo resto do Brasil e onde ainda impera o tal do voto de cabresto.
  • Bullying do tipo “na sua cidade vocês andam de cipó?” é lei. Mas aos 18 anos, sozinha em SP, doía.
  • Se eu escrever aqui que sou pobe, minha mãe me dá bronca, então direi que não nasci numa família abastada, não tenho como profissão “herdeira”.
  • Minha mãe comprou nosso primeiro carro quando eu tinha 10 anos.
  • Fui estudante de escola pública a maior parte da vida;
  • Meus pais são separados,
  • A última vez que eu vi meu pai foi aos 8 anos de idade.
  • Com 18 anos vim morar sozinha em SP para fazer faculdade.
  • Chorei de frio,
  • Chorei de saudade,
  • Chorei de medo,
  • Chorei de raiva.
  • O orçamento era tão curto que no dia que sobrou R$ 25,00 achei que tinha errado alguma conta!
  • No meu primeiro estágio eu não ganhava NADA, isso mesmo, nem um centavinho por mais de 1 ano. Mas eu queria trabalhar e era o que tinha.
  • Aos 21 eu casei,
  • Aos 23 descobri uma endometriose,
  • Aos 25 me separei,
  • 6 meses depois, voltei,
  • Quase fazendo 26, engravidei,
  • 11 semanas depois… perdi.
  • O aborto foi certamente a maior dor física e emocional que já senti na vida. O buraco não foi preenchido até hoje e eu morro de saudade de ser grávida.
  • Aos 27 resolvi jogar a carreira pro alto…
  • Todo mundo achou que eu estava doida, inclusive eu mesma.
  • Abri uma loja, fechei 1 ano e meio depois.
  • Fali na verdade.
  • Chorei de decepção.
  • Surtei ao perceber que faria 30 anos e a minha vida não era nada do que eu imaginava;
  • Sem profissão definida,
  • Sem poupança gorda….
  • O casamento desandou.
  • O casamento acabou.
  • Teve briga…
  • Teve ofensa…
  • Lágrimas…
  • Mas teve recomeço… o recomeço do fim, mas teve.
  • Agora eu moro sozinha de novo,
  • Passando perrengue de novo,
  • Me sentindo sozinha de novo…

Se eu fosse analisar e dar ênfase somente á essas coisas da minha vida, eu certamente me acharia uma criatura deprimente e deprimida para toda a eternidade. O que eu tenho feito é mudar o foco e tentar ver tudo de bom que essas escolhas me trouxeram, porque mesmo em meio aos problemas do nosso cotidiano, ainda podemos olhar pro céu e agradecer porque existe algo bom. Você está aqui vivo, lendo esse texto e só por ter vida já precisa agradecer.

Listei aqui alguns dos motivos que já me levaram a chorar e ficar deprimida, me sentir desprezada e incapaz… não é fácil, mas a gente precisa aprender e entender o quão necessário é reprogramar o cérebro para aquilo que realmente importa. Porque, pode parecer muito clichê, mas é verdade que se você exercitar sua mente para pensar em coisas boas e agradecer por cada detalhe, vai acordar cada vez melhor e sem aquele sentimento ruim que nos incomoda tanto e a gente não sabe como se livrar.

Então, vamos para a segunda etapa:

  • Esse coração preguiçoso faz de mim um ser humano super paciente com pessoas. Sempre demoro para ter reações enérgicas;
  • Nasci no Rio de Janeiro! Sou cariosa sim, e amo isso!
  • Passei todas as minhas férias nessa cidade linda e maravilhosa, cansei de ir ao Cristo e no Pão de Açúcar!
  • Eu realmente não tinha talento pro esporte, mas foi ótimo poder treinar e me divertir durante a adolescência;
  • Morei em Roraima, numa cidade tranquila e pacata onde as pessoas se encontram e sentam na calçada para bater-papo;
  • A escola pública onde estudei é cenário de grandes lembranças da minha vida, tipo o uniforme que era mega tradicional e sem sapato preto, meia branca, saia de pregas e camisa passada, nego não entrava na aula;
  • Quando passei a estudar em escola privada, conheci as amigas que estão ao meu lado até hoje!
  • Com elas eu fui cover de Chiquititas e Spice Girls nos festivais da escola!
  • Fiz ballet clássico;
  • Fiz aulas de canto…
  • E piano!
  • Viajei com o coral que eu cantava para gravar um CD! Foi incrível!
  • Dancei clássicos do ballet, como Romeu e Julieta, para uma platéia de mais de 500 pessoas;
  • Toquei músicas lindas no piano, desde Tom Jobim até O Lago dos Cisnes;
  • Minha mãe sempre foi super mãe e pai, meio maluca mas que resolve todos os meus problemas;
  • Eu ganhei dela a maior alegria da minha vida: Minha Lulu!
  • Ela é com certeza a irmã mais fofa e carinhosa do mundo!
  • Com 18 anos eu deixei mamãe e Lulu para vir morar em SP e realizar um sonho;
  • Aprendi a pagar contas e administrar orçamento;
  • Estudei numa das melhores Faculdades de Direito de SP;
  • Realizei o sonho de trabalhar em todos os lugares que eu sempre quis.
  • Um dia fui pedida em casamento;
  • Casei com o meu melhor amigo;
  • Fomos muito felizes por 8 anos;
  • Um dia percebi que amava mais Moda do que Direito e me joguei com cara e coragem numa nova vida;
  • Realizei o sonho de ter meu negócio.
  • Resolvi mudar de novo;
  • Tenho outro negócio.
  • Conheci dezenas de pessoas e vivi muitas experiências incríveis através dele;
  • Tipo vejo desfiles de SPFW há 3 anos;
  • Tipo conheci e entrevistei Thássia Naves;
  • Tipo tenho na minha agenda o contato de uma editora de beleza de uma das maiores revistas do Brasil.
  • E hoje vou mudar tudo de novo… porque a vida é curta demais para eu fazer sempre a mesma coisa;
  • Agora escrevo menos sobre moda e mais sobre a vida;
  • Recebo mensagens e e-mails que me fazem chorar de emoção e felicidade;
  • Tenho os melhores leitores do mundo!
  • Amo escrever! Essa é a minha paixão!
  • Sou infinitamente feliz e abençoada por tudo o que Deus me permitiu viver até aqui….
  • E é só o começo…
  • Porque eu SÓ tenho 30 anos!
  • E fui à Paris para comemorar essa data!
  • O ex-marido hoje é um dos meus melhores amigos;
  • Voltei a falar com meu pai…. e ele é tão fofo!
  • E as melhores amigas são as minhas, que me deram até um fogão de presente!
  • Eu aprendi a pedir e aceitar ajuda…
  • Eu aprendi a falar dos meus problemas;
  • Aprendi a tirar o peso das minhas costas e não me culpar pelo buraco na camada de ozônio.
  • Aprendi a agradecer e ver as coisas pelo lado bom sempre.
  • Porque o lado bom da vida é muito melhor do que todos os outros.

Sejamos otimistas, leves e agradecidos! Deus nos deu um dia novo para viver, vamos fazer o melhor com ele!

“O que não te desafia, não te transforma”

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Quando moda e música fazem seu coração palpitar | Desfile Verão 2017 da Cavalera

26 de agosto de 2016
Moda

Vamos aos poucos voltar á nossa rotina e colocar moda na pauta do blog? <3

Depois de duas semaninhas de atraso eu resolvi vir aqui comentar um evento que fui recentemente e que mexeu com meu coração!

A Cavalera é uma marca super tradicional aqui no Brasil, desfilou em SPFW por muito tempo, tem um DNA super forte (a marca é da pegada do rock e street style) e resolveu inovar de uma forma TÃO espetacular e maravilhosamente linda, que sério… eu fiquei emocionada com o evento que fui e com a demonstração clara de querer misturar coisas, quebrar barreiras e preconceitos em nome de termos uma moda mais bonita, diversa e que agrade de fato o público.

Daí foi assim: Um desfile para “apenas” 3000 (sim TRÊS MIL) pessoas conferirem in loco e de maneira bem didática a ideia da nova a coleção de verão que se chama Nossa Moda de Viola. E com isso minha gente, foram uns 30 sertanejos pra passarela e pro palco, cantar e embalar o desfile ao som das mais tradicionais músicas do sertanejo de raiz!

É ou não é incrível a capacidade que a gente tem de se jogar no novo, quando nos abrimos para novas experiências? Não adianta ficarmos reclamando de queda nas vendas, crise pra lá, crise pra cá, se não fizermos algo de novo para melhorar e sair dessa situação que estamos (seja na vida pessoal como também a nossa situação política). Eu admirei muito a iniciativa da Cavalera, fiquei muito feliz por ter sido convidada e poder prestigiar um evento que certamente entrou pra história e fez a diferença no mundo da moda.

cavalera

O resultado não é uma coleção clichê, pelo contrário, eu não vi camisa chadrez por exemplo. Mas sim, tem flor! Flor com fundo claro e escuro, tem tecido fluido e babados, mas tudo lembrando mais uma camponesa descolada do que uma menina da roça, afinal é a camponesa da Cavalera e ela ouve rock! hehehehe

A lição que eu tiro dessa noite é que podemos sempre nos inspirar no vizinho, por mais diferente que ele seja. As histórias estão ao nosso redor constantemente e é nobre admitir que podemos aprender com elas, mesmo que venham da fonte mais inesperada.

Acho que meu amor por esse mundo nunca vai acabar, e eternamente esse será um blog que fala da minha vida e da minha vida com a moda.

A moda me ensina muita coisa todos os dias… e eu vou dividir esses devaneios com vocês ok?

Ps: Quem quiser ver mais do desfile, clica aqui que tem tudo!

“O que não te desafia, não te transforma”

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Segundo domingo de agosto…

15 de agosto de 2016
Moda

Esse ano o segundo domingo de agosto teve um ar diferente… eu não estava triste, nem desanimada e muito menos me sentindo um peixe fora d’água em meio à todas aquelas declarações de amor que brotam nas redes sociais em datas comemorativas como essa.

Eu estava feliz e cheia de uma esperança que faz meu coração palpitar! Eu estava planejando palavras bonitas para escrever e homenagear alguém… dois “alguéns”. Porque afinal, a vida foi generosa e me deu 2 corações para amar nesse dia.

Uma mãe super-poderosa e protetora em tempo integral. Não há distância que reduza a sua capacidade de resolver todos os meus problemas.

E um pai, recém-chegado mas já querido e amado como eu nem imaginava que seria capaz.

Eu não sabia qual era a sensação de tê-lo, eu era tão bem resolvida e “forte” diante daquela ausência. Até o dia em que resolvi quebrar barreiras, abrir portas… até o dia em que ouvi “boa noite minha filha, um beijo no seu coração…”

Entendi tudo…

Domingos de agosto e de sempre agora tem um sabor todo especial!

<3

“O que não te desafia, não te transforma.”

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Viajar Cura!

9 de agosto de 2016
Comportamento, Viagem

Pode parecer clichê, blasé, prepotência e muitas outras coisas, mas é fato que viajar faz bem pro coração, para a alma e para a mente! Não importa se você vai para um fim-de-semana a 200km de distância, ou se vai cruzar o oceano… ter um tempo para respirar novos ares e pensar apenas em como a vida pode ser diferente em cada lugar, sonhar e refletir, isso é transformador.

No meu caso foi a viagem da minha vida, aquela com a qual eu sonhava desde os meus 15 anos de idade, e de tanto sonhar, tornou-se real! Até hoje ainda tenho dificuldade para acreditar que meus olhos viram tudo aquilo… Demorou 15 anos e valeu cada segundo!

Eu fui à Paris! (Agora é a hora que pode parecer arrogante)

Paris me curou de muitas formas… aquela cidade linda me fez perceber que eu estava muito focada no lado negativo de tudo. Aquelas pessoas sempre tão despretenciosamente arrumadas e estilosas, andando pra lá e pra cá de tênis e jeans skinny, me mostraram que menos é muito mais e eu não preciso me cobrar para estar sempre com a aparência impecável. Até porque eles me ensinaram que aparência impecável não tem nenhuma relação com aquela montação fashion que o mundo dos blogs traz pra minha vida.

Paris me lembrou um dos maiores prazeres que eu tenho: Sentar e tomar café apreciando a vida, a paisagem ou simplesmente a passagem do tempo. Eu amo café, mas nem pra isso a gente se dá tempo porque a rotina nos consome! Calma…

Paris me deu tapa na cara ao ser muito bem tratada por todos os franceses que cruzaram meu caminho… bom dia, obrigada, boa noite, olá tudo bem, a gente lembra mesmo de dizer isso para todo mundo ao longo de nossos dias corridos e agitados em busca de…. de quê mesmo?

Paris me trouxe até questionamentos e reflexões sociológicas, sim porque a frase “Estado de bem estar social” até então apenas decorada para as minhas provas na faculdade de Direito, começaram a fazer sentido quando eu observei na prática o modo de vida do francês.

Paris me mostrou que eu posso sim viajar pra um país desconhecido sem necessariamente falar o idioma local. Eu tinha um desespero de ir á França sem falar francês, e ainda mais estando com a minha mãe…. me sentia responsável por nós duas. Mas deu tudo certo! Sem arriscar, eu jamais saberia do que sou capaz.

Paris… foi certamente o melhor presente que a vida poderia ter me dado! Eu chorei vendo a Torre Eiffel…. eu viajei no tempo andando pelo Castelo de Versailles, e eu sonhei muito com aquela paisagem toda…

Viajar nos tira da realidade de uma maneira saudável, são dias em que você esquece dos problemas, das dores e dos sofrimentos para se divertir e contemplar um lugar diferente. São dias em que você agradece por cada segundo vivido e isso recarrega a nossa bateria da vida.

Voltei animada, esperançosa, querendo ser feliz e viver a vida de uma maneira cada vez mais leve… Paris me ensinou muitas coisas e quero dividir algumas aqui com vocês. Por isso vai ter uma série de posts aqui no blog (uns 2/3) contando mais detalhes desde o planejamento até o final da nossa estadia na minha mais nova cidade preferida do mundo!

“O que não te desafia, não te transforma.”

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Conjunto de coisas que me ajudaram a sair da inércia depressiva

4 de agosto de 2016
Comportamento

Nem só de terapia e medicamentos se faz uma volta por cima, hoje eu quero comentar com vocês como precisamos de um semi-exército da salvação para sair da deprê, rs. Minha caminhada talvez não esteja sendo exatamente igual a sua, mas vamos lá dividir emoções e quem sabe ainda assim você se identifica.

 Eu comecei indo a um médico psiquiatra, não sei se é esse o caminho certo, mas eu já fui pro “me dá um remédio, só não quero tarja preta”. E ele prontamente me atendeu, porém deixando claro que se eu precisasse de tarja preta, ele receitaria sim e eu precisaria entender que às vezes essa é a ajuda que nosso corpo precisa. Ok, aceitei. Contudo, o próprio médico me disse nessa primeira consulta que eu deveria ir direto a um psicólogo, pois apenas a medicação não iria resolver meu problema.

 E aí parti em busca do segundo profissional que me ajuda: Minha psicóloga querida! A gente cria um laço, engraçado, com uma pessoa que senta e te ouve por 1h toda semana… rs. Escolhi a pessoa que me atenderia no bom e velho boa a a boca, perguntei para umas amigas com quem elas faziam terapia, pensei e decidi. Foi, certamente, a melhor decisão que já tomei em toda a minha vida.

 Depois disso, voltei para uma rotina que antes eu adorava, mas naquele momento estava totalmente abandonada: Academia. Minha terapeuta identificou logo que a endorfina é um hormônio muito importante pra mim, a sensação de estar fazendo algo certo e bom pro meu corpo me deixa muito bem e essa foi uma das tarefas que ela me deu no começo do tratamento. Reestabeleci uma rotina de treinos e de fato tem sido essencial para a manutenção do meu humor e disposição. Já pensou em mexer o corpo para ajudar a mente? A ciência já sabe que isso funciona, e eu pude viver na prática para comprovar.

 Por fim, como um dos grandes dramas da minha vida é o desenvolvimento da minha carreira, o coach também entrou no time dos salvadores da Carol. Já estava fazendo em equipe por conta da minha empresa, mas agora faço também para meu desenvolvimento pessoal e individual. Não é possível tratar os dramas da vida, fazer academia, tomar remédio e ainda assim sentir-se perdida profissionalmente, que é uma área tão importante da nossa vida. Essa semana fiz meu primeiro encontro com a minha coach já dentro dessa nova perspectiva e agora é partir em busca de uma resposta que me deixe finalmente, 100% feliz com o que eu faço.

 Não tem fórmula milagrosa, mas sim uma equipe toda envolvida na recuperação desse ser humano que vos escreve. Não tem sido fácil, mas sim muito duro e cansativo. Repetições e mais repetições não só de abdominais, mas de pensamentos positivos, momentos de desânimo e novas tentativas.

 O que importa de verdade é tentar…. e enxergar quantas pessoas são importantes para que possamos ficar bem. Hoje escrevendo esse texto eu só pude agradecer a Deus por ter a oportunidade de ter esse time todo comigo! Não tinha me dado conta até colocar tudo por escrito sabe?

 Sejamos gratos… e reconheça a hora de pedir ajuda.

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